Québec: trabalhando e migrando para o Canadá (parte II)

Já faz mais de um ano e meio que escrevi o primeiro post sobre a imigração para o Canadá. O que aconteceu desde então?

Conforme contei no primeiro post, recebi uma oferta de trabalho para uma empresa de Québec, Canadá. Porém, alguns dias após receber o ok e a indicação de que iríamos começar o processo de contratação e imigração, a empresa disse que haviam recebido outros CV’s e que, infelizmente, outra pessoa foi chamada para ficar no meu lugar. Foi um balde de água fria! Fui gentil, agradeci (embora estivesse muito frustrado) e reforcei que, se desejassem, ainda estava disponível. Minha vontade era dizer que aquilo que haviam feito (de dizer sim e depois dizer não) não se fazia… Mas me segurei. E fiz bem…

Com isso, desisti do objetivo de imigrar para o Canadá. Minha esposa, no entanto, não o fez. Ao contrário, ela continuava a assistir vídeos de pessoas que haviam imigrado, como o canal do YouToube Canadá Diário. E foi através de um desses vídeos do Canadá Diário que ela viu uma empresa de recrutamento que faria uma espécie de Hackathon em São Paulo – a VanHack. Dito e feito… ela me inscreveu na VanHack e fui chamado para o evento e uma entrevista em São Paulo, se não me engano no mês de Junho de 2018. No entanto, ao invés de ser para Québec, a província dessa outra empresa que iria me entrevistar era Winnipeg. Então começamos a pesquisar tudo que podíamos sobre Winnipeg.

O mundo dá voltas

Na noite anterior a embarcar para São Paulo, onde seria o Hackaton, recebo uma ligação inesperada do Canadá. Era a empresa de Québec que havia me entrevistado. O gerente de desenvolvimento pediu se eu ainda estava disponível e me pediu desculpas pelo ocorrido anteriormente. Falei que estava viajando para outra entrevista no dia seguinte, também para o Canadá. Abri o jogo. Mencionei que estava muito contente e sim, ainda estava disponível. No entanto, falei que da última vez foi falado sim e depois não… Como tinha uma outra oportunidade disponível com outra empresa, não queria perdê-la. O gerente falou que isso não aconteceria novamente e que já providenciaria o meu contrato, no mais tardar para o dia seguinte.

Dito e feito. Quando estava em São Paulo para a entrevista (detalhe, sou do Rio Grande do Sul), recebi um e-mail com o contrato e com uma oferta de CAD 5.000 a mais do que proposto na primeira vez. Fiz a entrevista e o hackathon, mas agora sem toda a pressão porquê já tinha recebido uma boa proposta. Assinei o contrato, enviei e começamos o longo processo de imigração para o Québec.

O processo de imigração

O processo foi bem penoso e caro. A empresa contatou uma empresa de advogados em Québec que cuidou do processo. No entanto, a tradução juramentada de certidões, diplomas e outros documentos foi muito cara. Além disso, os exames médicos obrigatórios (com um médico designado pelo Governo, disponível somente em Porto Alegre e mais algumas cidades do Brasil) saiu bem salgado: R$ 400.00 por pessoa (R$ 1200.00 para nós três). Fora os exames de RAIO-X e outros…

O processo deveria inicialmente durar 2 meses – acabou durando 8! Em março de 2020 finalmente recebemos nossos Vistos juntamente com as autorizações de trabalho.

Partida e Chegada

Em 20 de Março de 2019 nos despedimos de nossa família aos choros no aeroporto de Caxias do Sul. Foi nossa primeira viagem internacional e a primeira viagem de avião do nosso Benjamin, então com 2 anos e 3 meses. Chegamos em Toronto, Canadá no dia 22 de Março, quinta-feira… E o nervosismo para passar pela imigração, responder as perguntas dos oficiais (que com nós foram muito gentis), receber os documentos e conseguir pegar em menos de duas horas o próximo vôo, rumo à Québec! Estávamos exaustos, mas felizes! Foi bem complicado carregar várias malas e levar no colo uma criança de colo também exausta. Além do mais, achávamos que seria frio no aeroporto e estávamos repletos de casaco (foi um grande erro!).

Quando chegamos em Québec, vimos pela primeira vez o que é verdadeira neve. Sabe, em Caxias do Sul, em alguns anos, neva… Mas nada como em Québec. Benjamin ficou impressionado, e nós também.

Ao sairmos da área de embarque, a empresa já havia designado um “padrinho” para nos ajudar em todo processo, bem como uma empresa para nos acompanhar ao fazer as compras e nos levar para casa. A moça dessa empresa já havia morado no Brasil e falava fluentemente o português. Agradeço muito ao meu “padrinho” Guillaume, ele e sua família nos ajudaram muito no início!

Mas tenho que contar sobre mais alguém que nos ajudou muito. Foi uma família da nossa religião, que não conhecíamos pessoalmente – Caroline e Arnaldo. Arnaldo pegou um dia de folga do trabalho e estava lá para nos receber quando chegamos. E sabe do que mais? Quando entramos na casa, estava toda mobiliada, limpa e ajeitada. Eles e outros amigos da nossa religião haviam preparado tudo, sem pedirmos, para nossa chegada! Havia até comida na geladeira. Nunca nos esqueceremos da ajuda deles e do amor demonstrado.

Arnaldo e Caroline nos levaram fazer as primeiras compras. Na primeira noite, trouxeram uma comida para nós e jantamos juntos. No dia seguinte, o Arnaldo tirou mais um dia de folga para nos levar comprar roupas especiais de inverno. No sábado, dia 23, conhecemos nossos irmãos espirituais numa reunião na nossa nova congregação (igreja)! Que diferente! Mas ao mesmo tempo, nos sentimos em casa!

E como havia guardado pouco dinheiro, no dia 25, segunda-feira, já comecei a trabalhar. Pretendo escrever um ou dois posts comentando um pouco mais sobre esse início em Québec e como está nosso status hoje. Até lá!

Veja esse pequeno vídeo que fiz sobre uma pequena parte de Québec.

1 comentário

  1. Pingback: Québec: trabalhando e migrando para o Canadá (parte I) | WillBlog

Seus comentários são muito apreciados.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.